Simpatolíticos: o que são e como atuam no controle da hipertensão
A hipertensão arterial é uma das
doenças crônicas mais prevalentes no mundo, e seu tratamento envolve diferentes
classes de medicamentos que atuam sobre os mecanismos de controle da pressão
arterial. Entre essas classes, destacam-se os inibidores do sistema nervoso
simpático, também conhecidos como simpatolíticos (McComb et al., 2016).
O que são simpatolíticos?
Os
simpatolíticos são fármacos que inibem a transmissão adrenérgica em algum ponto
do sistema nervoso simpático, desde o sistema nervoso central até as células
efetoras periféricas (vasos, coração e rins) (Behuliak et al., 2024).
O
sistema simpático regula continuamente a pressão arterial por meio do
barorreflexo, ajustando o tônus vascular e o débito cardíaco conforme as
variações da pressão. Ao reduzirem o efluxo simpático, esses fármacos diminuem
a resistência vascular periférica e o débito cardíaco, levando à redução da
pressão arterial (Tavares; Plavnik, 1998).
Figura 1. Sítios de ação anti-hipertensiva dos principais
inibidores do sistema simpático.
Fonte: Adaptado de Tavares; Plavnik (1998).
Principais classes de simpatolíticos
1. Inibidores de ação central
Atuam nos centros vasomotores do
sistema nervoso central, inibindo a liberação de norepinefrina nas sinapses
nervosas. Entre os principais representantes estão:
●
Metildopa: age como agonista dos receptores α₂
adrenérgicos e é amplamente utilizada na hipertensão durante a gestação, pois
não atravessa a barreira placentária (Frohlich, 1980).
● Clonidina:
derivado imidazolínico, que além de seu uso anti-hipertensivo, é empregada como
pré-anestésico e no tratamento da abstinência de opioides e tabaco, devido à
modulação do efluxo simpático (Lowenstein, 1980).
Moxonidina: considerada um agonista
α₂ de segunda geração, apresenta afinidade pelos receptores imidazolínicos do
subtipo I₁, o que reduz efeitos adversos como sedação e boca seca (Ernsberger
et al., 1993).
Os efeitos adversos mais comuns dessa
classe incluem sonolência, hipotensão postural, boca seca e depressão. A
clonidina, em especial, deve ser retirada de forma gradual para evitar o efeito
rebote, que consiste em um abrupto aumento da pressão arterial após a suspensão
do uso (Lowenstein, 1980).
2. Betabloqueadores
Os betabloqueadores reduzem o efluxo
simpático ao antagonizar os receptores β-adrenérgicos no sistema nervoso
central e periférico. Podem ser divididos em quatro grupos principais:
●
Inespecíficos (β₁ e β₂): como o propranolol e nadolol, que
diminuem o débito cardíaco e reduzem a liberação de renina pelos rins (Tavares;
Plavnik, 1998).
●
Cardiosseletivos (β₁): como o atenolol e metoprolol,
indicados para pacientes com asma, diabetes ou insuficiência vascular
periférica, pois apresentam menor efeito sobre os receptores β₂ (Dahlöf et al.,
1991).
● Com atividade simpatomimética intrínseca: como o pindolol e acebutolol, que reduzem a pressão arterial sem causar grande bradicardia, sendo úteis em pacientes com bradiarritmias ou insuficiência cardíaca leve (Graudins et al., 2016).
● Com ação α₁ concomitante: como labetalol e carvedilol, que promovem vasodilatação e são úteis em emergências hipertensivas e no feocromocitoma (Michelson; Frishman, 1983).
Além da hipertensão, os
betabloqueadores são utilizados em angina, arritmias, enxaqueca, tremor
essencial e no pós-infarto (Materson et al., 1993). Por outro lado, devem ser
usados com cautela em casos de DPOC, insuficiência cardíaca descompensada e
doença vascular periférica.
3. Bloqueadores α₁
Estes fármacos agem bloqueando os
receptores α₁ das arteríolas e vênulas, resultando em vasodilatação e
consequente redução da pressão arterial (Graudins et al., 2016). Os principais
representantes são prazosina, doxazosina e terazosina.
Um efeito frequente é a hipotensão
postural, especialmente após a primeira dose, conhecida como “fenômeno da
primeira dose”. No entanto, as formulações de liberação lenta podem diminuir a
intensidade desse efeito. Por esse motivo, recomenda-se que as primeiras doses
sejam administradas à noite, antes de o paciente dormir.
Além de atuarem como
anti-hipertensivos, esses agentes também melhoram o perfil lipídico e são
benéficos para pacientes com hiperplasia prostática benigna, por relaxarem a
musculatura prostática e facilitarem a micção (Leren et al., 1980).
Interações medicamentosas com outros medicamentos e substâncias
Em alguns tratamentos, o uso dos
simpatolíticos é contraindicado pois acabam causando uma interação entre os
medicamentos administrados. Algumas dessas interações que podem ocorrer são:
● Pacientes com doenças pulmonares obstrutivas crônicas: os β bloqueadores podem ativar os
receptores α₁, que induz um espasmo coronário (Nature, 2014).
●
Pacientes com hipertensão: medicamentos para o tratamento da
hipertensão, como verapamil e diltiazem, eles podem acabar induzindo
bradicardia e insuficiência cardíaca. Outros medicamentos como propranolol e
atenolol, podem acabar tendo interações com o álcool, potencializando o efeito
de hipotensão, o que causa tontura e vertigem (GoodRx, 2023). O uso associado
com digoxina e outros fármacos antiarrítmicos podem potencializar o efeito da
diminuição da frequência cardíaca. O uso de adrenalina em pacientes que
utilizam β bloqueadores pode acabar causando um efeito exagerado, o que resulta
em uma hipertensão e bradicardia severa (GoodRx, 2024).
Simpatolíticos disponíveis no SUS
De acordo com a Relação Nacional de
Medicamentos Essenciais (RENAME 2025), o SUS disponibiliza diversos
medicamentos simpatolíticos para o tratamento da hipertensão arterial
sistêmica.
● Metildopa (α₂
agonista de ação central)
● Mesilato de doxazosina (α bloqueador)
● Atenolol (β bloqueador)
● Carvedilol (β bloqueador
com ação α e β)
● Metoprolol (β bloqueador)
●
Propranolol (β bloqueador não seletivo)
A automedicação com
anti-hipertensivos pode causar efeitos graves, como queda excessiva da pressão,
tontura e desmaios. Sempre use esses medicamentos somente com prescrição e
acompanhamento médico.
Considerações finais
Os simpatolíticos representam uma
classe tradicional e importante no manejo da hipertensão arterial. Apesar de
seu uso ter diminuído devido aos efeitos adversos e ao surgimento de novas
opções terapêuticas, continuam sendo alternativas valiosas em casos específicos,
como hipertensão na gravidez (metildopa), emergências hipertensivas (labetalol)
e controle adjuvante de sintomas simpáticos.
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Ótimo!!
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ResponderExcluirAdorei
ResponderExcluirMuito bom!
ResponderExcluirOtimoo!
ResponderExcluir👏👏
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