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Tireoide em foco: como ler e entender seus exames laboratoriais.

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Interpretação de Exames Tireoidianos Como a tireóide é regulada pelo organismo A tireoide desempenha papel central na regulação do metabolismo do organismo. Sua atuação influencia praticamente todas as células e órgãos, participando do controle da frequência cardíaca, da temperatura corporal e do gasto energético. Por se tratar de uma influência sistêmica, qualquer desajuste em seu funcionamento, seja por produção hormonal insuficiente, ou, excessiva, tende a se manifestar de forma abrangente no organismo. Seu funcionamento depende de uma comunicação constante com o cérebro, por meio do eixo hipotálamo-hipófise-tireóide. O hipotálamo libera o hormônio liberador de tireotrofina (TRH), que estimula a hipófise a secretar o hormônio tireoestimulante (TSH). O TSH, por sua vez, estimula a tireóide a produzir T3 e T4. Quando os níveis desses hormônios já estão adequados, ocorre um mecanismo de retroalimentação negativa, que reduz o estímulo à produção de TRH e TSH. Os hormônios tireoidianos d...

ANEMIAS CARENCIAIS: QUANDO A FALTA DE NUTRIENTES COMPROMETE A SAÚDE

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 ANEMIAS CARENCIAIS: QUANDO A FALTA DE NUTRIENTES COMPROMETE A SAÚDE       As anemias carenciais representam um importante problema de saúde pública em todo o mundo e estão entre as condições nutricionais mais frequentes na prática clínica. Apesar de muitas vezes serem associadas apenas ao cansaço ou à fraqueza, essas alterações podem comprometer significativamente a qualidade de vida, o desempenho cognitivo, a capacidade física e, em grupos mais vulneráveis, o desenvolvimento infantil e a evolução da gestação (WHO, 2025).        De forma geral, a anemia é caracterizada pela redução da concentração de hemoglobina no sangue, prejudicando o transporte de oxigênio para os tecidos. Entre suas diversas causas, as deficiências nutricionais ocupam posição de destaque, especialmente a carência de ferro, ácido fólico e vitamina B12 (WHO, 2025).   A anemia por deficiência de ferro       A deficiência de ferro é consid...

Interpretação de Exames Hepáticos

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    Os exames hepáticos são análises laboratoriais utilizadas para investigar alterações no fígado e no sistema hepatobiliar. Entre os principais marcadores estão as enzimas aspartato aminotransferase (AST; anteriormente conhecida como transaminase glutâmico-oxalacética, TGO), alanina aminotransferase (ALT; ou t ransaminase glutâmico-pirúvica ), gama-glutamil transferase (GGT) e fosfatase alcalina (FA). Apesar do nome, esses exames não avaliam diretamente todas as funções do fígado, mas fornecem informações sobre possíveis lesões hepatocelulares, alterações das vias biliares e colestase. O fígado desempenha funções essenciais, como o metabolismo de nutrientes, a produção e transformação de substâncias e o processamento de medicamentos. Por isso, a avaliação laboratorial é importante na investigação de alterações hepáticas. A interpretação deve considerar os valores de referência do laboratório, o quadro clínico e outros exames complementares, pois uma alteração isolada não...

Reticulócitos e resposta medular: como interpretar? Entenda a importância da contagem de reticulócitos na avaliação da capacidade eritropoietica da medula óssea

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Reticulócitos e resposta medular: como interpretar?  Entenda a importância da contagem de reticulócitos na avaliação da capacidade eritropoietica da medula óssea      A avaliação da resposta da medula óssea diante de um quadro anêmico é fundamental na hematologia clínica. A contagem de reticulócitos atua como um indicador direto e em tempo real da atividade eritropoiética medular, permitindo classificar as anemias e direcionar a investigação diagnóstica de maneira precisa e eficiente.  O que são reticulócitos e qual o seu papel na eritropoiese?  Os reticulócitos são hemácias jovens imaturas que recém saíram da medula óssea para a circulação periférica. Durante o processo de maturação eritróide, o eritroblasto ortocromático perde seu núcleo, originando o reticulócito. Esta célula ainda conserva resíduos de RNA ribossômico e organelas (como mitocôndrias) necessários para completar a síntese de hemoglobina, circulando no sangue periférico por cerca de 24 a 48 ...

Interpretação de perfil lipídico

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          Diariamente consumimos em nossa dieta alimentos ricos em lipídios, moléculas que atuam no nosso corpo como fonte de energia, regulação térmica, proteção mecânica e também na síntese de alguns hormônios do nosso organismo. Esses lipídios, ao serem absorvidos pelo trato gastrointestinal, podem ser divididos em HDL, LDL, VLDL e quilomícron.            Sua absorção pelo nosso corpo ocorre no intestino delgado, no qual os sais biliares emulsificam as moléculas lipídicas, que sofrerão ação da enzima lipase pancreática, transformando-se em ácidos graxos e glicerol, que serão absorvidos pela mucosa intestinal. Inicialmente, essas substâncias são incorporadas em quilomícrons e transportadas pelo vasos linfáticos até o fígado, onde ocorrerá a metabolização que formará as moléculas de VLDL. O VLDL é responsável pela entrega de triglicérides aos tecidos.             As moléculas de V...

Dislipidemias: Tratamento e cuidados farmacêuticos

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                    As dislipidemias são doenças que envolvem a alteração na concentração de gorduras do sangue, chamadas de lipoproteínas, como VLDL, LDL (colesterol “ruim”) e HDL (colesterol “bom”), podendo ser genéticas ou adquiridas. Percebe-se a importância de discutir as prevenções e tratamentos dessas doenças, já que elas têm prevalência em até 60% da população brasileira, podendo levar até mesmo a maiores complicações cardiovasculares e pancreatite (GARCEZ et al., 2014). As dislipidemias são classificadas em (BRASIL, 2020):  Hipercolesterolemia pura: aumento apenas de colesterol LDL; Hipertrigliceridemia pura: aumento apenas de triglicerídeos; Hiperlipidemia mista: aumento de colesterol total, LDL e triglicerídeos; Hiperquilomicronemia: aumento apenas de quilomícrons; Outras hiperlipidemias. Além da genética, diversos fatores podem ser a causa de uma dislipidemia: doenças prévias (como diabetes, obesidade, hipo...

FÁRMACOS E GESTANTES

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 FÁRMACOS E GESTANTES INTRODUÇÃO O uso de medicamentos na gestação é marcado historicamente pela tragédia da talidomida em 1959, que resultou no nascimento de milhares de crianças com focomelia - má formação caracterizada pelo encurtamento ou ausência de membros -  e impulsionou a criação de critérios rigorosos de farmacovigilância e classificação de riscos para gestantes  (Pompilio; Pietro, 2020). Durante a gravidez, o organismo da gestante sofre alterações fisiológicas, como o aumento do volume sanguíneo e do débito cardíaco, os quais modificam a farmacocinética dos fármacos e, assim, alterando sua distribuição e eficácia (Silva; Marques, 2019). Além disso, a barreira placentária permite a passagem de diversas substâncias por difusão simples, especialmente aquelas de baixo peso molecular, tornando o feto vulnerável a efeitos farmacodinâmicos (Andrade et al. , 2017). A preocupação central reside na teratogênese, especialmente no primeiro trimestre, quando a organogênese ...