Exames para quem usa estatinas: quando parar por causa do fígado e músculos?

 

As estatinas estão entre os medicamentos mais prescritos no Brasil e no mundo. Elas são fundamentais no controle do colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) (Pharmaceutics, v. 16, n. 2, p. 214, 2024).


De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC, 2021), a dislipidemia (como o colesterol alto) é um dos principais fatores de risco para aterosclerose e está presente em mais de 40% da população adulta brasileira. 

No Brasil, as mais utilizadas são sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pravastatina e lovastatina. Esses medicamentos pertencem à classe dos inibidores da HMG-CoA redutase, enzima responsável pela produção de colesterol no fígado. Ao bloquear essa enzima, reduzem de forma eficaz o colesterol LDL ("colesterol ruim") e promovem um leve aumento do HDL ("colesterol bom"), ajudando a proteger o coração (Pharmaceutics, v. 16, n. 2, p. 214, 2024). 

Mas, afinal, quais exames devem ser feitos durante o tratamento com estatinas? Quando é preciso se preocupar? E em que situações o uso deve ser suspenso? Vamos entender.

 

Estatinas Comuns e Seu Mecanismo de Ação

As estatinas atuam principalmente como inibidores competitivos da enzima responsável pela produção do colesterol pelo fígado. Ao fazer isso, elas desencadeiam uma série de eventos bioquímicos que resultam na redução dos níveis de colesterol no sangue (Pharmaceutics, v. 16, n. 2, p. 214, 2024).

è Esses medicamentos são essenciais para o controle do colesterol LDL, o "colesterol ruim", e para a prevenção de eventos cardiovasculares graves. 



Valores de Referência do Perfil Lipídico 

Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2017) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (Santos et al., 2020), os principais valores de referência para o perfil lipídico são: 

è Esses números ajudam a avaliar se a estatina está funcionando e se é preciso ajustar a dose para atingir as metas terapêuticas. 

 

Doses Usuais e Personalização do Tratamento 

A escolha da dose da estatina depende do risco cardiovascular individual do paciente e da meta de redução do colesterol LDL. O médico ajustará a dose para otimizar os resultados e minimizar os riscos. 

è A personalização do tratamento é chave para garantir a eficácia e a segurança, sempre sob orientação médica. 

 

O Mecanismo de Ação das Estatinas

 

As estatinas são verdadeiras aliadas na luta contra o colesterol alto, agindo de forma inteligente no organismo para reduzir os níveis de LDL-colesterol. O processo é um ciclo contínuo de regulação e otimização.

 

àOu seja, as estatinas não apenas diminuem a produção de colesterol pelo fígado, mas também aumentam a remoção do colesterol "ruim" do sangue. 

A Importância Vital do Monitoramento 

Apesar de serem medicamentos seguros e eficazes, as estatinas podem, em alguns casos, causar efeitos adversos que exigem atenção e monitoramento contínuo. Os principais órgãos afetados são o fígado e os músculos (Sociedade Brasileira de Cardiologia Santos et al., 2020).  

                                                 Impacto no Fígado

As estatinas podem levar à elevação das enzimas hepáticas (TGO, TGP, gama-GT). Aumentos leves são comuns e geralmente não são motivo de preocupação, mas elevações significativas ou persistentes requerem investigação. 

É crucial monitorar a função hepática para garantir que o benefício do tratamento supere qualquer risco potencial. 



 Impacto nos Músculos 

Nos músculos, as estatinas podem causar dor, fraqueza e, em casos muito raros, uma condição grave chamada rabdomiólise. Esta condição envolve a destruição das fibras musculares, liberando substâncias que podem comprometer os rins. 

Sintomas musculares devem ser sempre comunicados ao médico para avaliação e ajuste do tratamento, se necessário.

 


Exames Cruciais Durante o Tratamento com Estatinas 

Para garantir a segurança e a eficácia do tratamento com estatinas, alguns exames laboratoriais são indispensáveis. Eles permitem ao médico monitorar a resposta do paciente e identificar possíveis efeitos adversos (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Dislipidemia. Brasília: Ministério da Saúde.[S.l.: S.n.]). 


àO monitoramento regular é a chave para um tratamento seguro e bem-sucedido. 

 


Critérios para Suspensão do Uso de Estatinas 

A interrupção do tratamento com estatinas é uma decisão médica importante e deve ser considerada apenas em situações específicas, quando os riscos superam os benefícios ou quando há sinais claros de efeitos adversos graves (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Dislipidemia. Brasília: Ministério da Saúde.[S.l.: S.n.]). 

Elevação Persistente das Enzimas Hepáticas

Quando os níveis de TGO/AST ou TGP/ALT se mantêm 3 vezes maiores que o valor de referência, mesmo após ajustes na dose ou investigação de outras causas.

Aumento da CK com Sintomas Musculares

Se a Creatina Quinase (CK) estiver 5 vezes acima do limite superior da normalidade, acompanhada de dor muscular intensa, fraqueza ou urina escura (sugestivo de rabdomiólise). 

Presença de Sinais Clínicos Graves 

Sintomas como icterícia (pele e olhos amarelados), dor muscular intensa e inexplicável, ou fraqueza progressiva que não melhora com o tempo. 

Nesses casos, o médico pode indicar: 

Tr   - Troca por outra estatina que possa ser mais bem tolerada.

·         - Ajuste da dose da estatina atual para uma menor. 

·        - Ou até mesmo outra forma de tratamento para o colesterol, como outros medicamentos ou mudanças no estilo de vida. 



Minimizando Riscos: Orientações Essenciais 

Para garantir que o tratamento com estatinas seja o mais seguro e eficaz possível, a colaboração entre paciente e médico é fundamental. Seguir algumas orientações simples pode fazer toda a diferença na prevenção de complicações (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Dislipidemia. Brasília: Ministério da Saúde.[S.l.: S.n.]).

Informe Todos os Medicamentos  

Quando os níveis de TGO/AST ou TGP/ALT se mantêm 3 vezes maiores que o valor de referência, mesmo após ajustes na dose ou investigação de outras causas.

Faça Exames Periódicos

Cumpra rigorosamente o cronograma de exames laboratoriais (perfil lipídico, enzimas hepáticas, CK) conforme a orientação médica. 

Observe Sinais de Alerta

Fique atento a qualquer sintoma incomum, como dor muscular, fraqueza, urina escura ou icterícia, e relate-os imediatamente ao seu médico. 

Nunca Interrompa por Conta Própria 

A decisão de suspender ou alterar a dose da estatina deve ser sempre tomada pelo médico, após avaliação cuidadosa do seu quadro clínico. 

è A adesão a essas práticas garante um tratamento mais seguro e resultados otimizados para a sua saúde cardiovascular.

 

Conclusão 

 

As estatinas são aliadas poderosas contra o colesterol alto e as doenças cardiovasculares. No entanto, seu uso deve ser sempre acompanhado de exames e consultas regulares. Com o monitoramento adequado, é possível garantir o máximo benefício com segurança, prevenindo complicações e melhorando a qualidade de vida (JUNIOR, Laelson.Resumo sobre Estatinas: farmacologia, mecanismo de ação e mais!). 

 

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Dislipidemia. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 

JUNIOR, L. Resumo sobre estatinas: farmacologia, mecanismo de ação e mais! Estratégia MED, São Paulo, 20 ago. 2024. Disponível em: https://med.estrategia.com/portal/conteudos-gratis/farmacos/resumo-sobre-estatinas-farmacologia-mecanismo-de-acao-e-mais/. Acesso em: 5 set. 2025. 

SANTOS, R. D. et al. Diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, n. 4, p. 598-643, 2020. 

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Atualização das diretrizes de prevenção cardiovascular. São Paulo: SBC, 2021. 

KHATIWADA, Nisha; HONG, Zhongkui. Potential benefits and risks associated with the use of statins.Pharmaceutics, v. 16, n. 2, p. 214, 2024. 

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