Tomando anticoagulantes? Descubra os exames que garantem sua seguraça.

 




Tomando anticoagulantes: quais exames são obrigatórios para o uso seguro?

O uso de anticoagulantes representa uma estratégia terapêutica indispensável na prevenção e no tratamento de eventos tromboembólicos potencialmente fatais, como  trombose venosa profunda, tromboembolismo pulmonar e fibrilação atrial. Embora sejam fundamentais para melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de eventos tromboembólicos, esses medicamentos requerem um acompanhamento farmacoterapêutico rigoroso, devido ao seu potencial de aumentar significativamente o risco de sangramentos e outras complicações clínicas (Fernandes et al., 2016; Marcanssoni, 2021).

 

Por que o monitoramento é indispensável?

Os anticoagulantes atuam alterando a cascata de coagulação sanguínea, seja impedindo que esta ocorra ou até mesmo decompondo coágulos já existentes. Isso significa que pequenas alterações na dose, interações medicamentosas ou mudanças na dieta podem alterar significativamente o efeito do medicamento, podendo impactar diretamente a resposta terapêutica, causando variações relevantes na concentração sanguínea. Por isso, exames laboratoriais regulares são essenciais para garantir eficácia e segurança (Assis, 2007).

 

Principais exames recomendados

    1.     TP/INR (Tempo de Protrombina/International Normalized Ratio):

Esse exame é indicado principalmente para pacientes em uso de varfarina. A faixa terapêutica do INR (varia de 2 a 4,5) e depende da condição clínica do paciente. Quando o INR  está abaixo da faixa recomendada, há risco aumentado de formação de trombos, enquanto valores elevados indicam maior probabilidade de sangramentos (Liana, 2018).

2.     TTPa (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada):

O TTPa verifica o tempo para a formação do coágulo após a exposição do sangue a certos reagentes e é utilizado especialmente para monitorar pacientes em uso de heparina não fracionada ou heparinas de baixo peso molecular. O exame permite o ajuste preciso da dose do medicamento de forma precisa, equilibrando a eficácia na prevenção de coágulos com a segurança em relação ao risco de hemorragias (Assis, 2007).

3.     Hemograma completo:

O hemograma fornece informações importantes sobre a contagem de plaquetas, hemoglobina e hematócrito. Esse monitoramento é essencial porque alterações como plaquetopenia (diminuição anormal do número de plaquetas no sangue) pode interferir na coagulação sanguínea ou anemia pode ser causada por sangramentos. Assim, o exame contribui para o diagnóstico precoce de complicações que poderiam comprometer a segurança do tratamento anticoagulante, além de acompanhar alterações decorrentes do uso de anticoagulantes (Silva et al., 2022).


4.     Função renal (ureia e creatinina):


A avaliação da função renal é indispensável em pacientes que utilizam anticoagulantes orais diretos (DOACs), como rivaroxabana, dabigatrana, apixabana e edoxabana. Os DOACs atuam diretamente em fatores específicos da coagulação, oferecendo alternativa à varfarina com menor necessidade de monitoramento laboratorial (Mary, 2019; Rodrigues et al., 2020-2021). Uma vez que a função dos rins influencia diretamente a eliminação desses medicamentos, as alterações nos níveis de ureia e creatinina podem exigir ajustes na dosagem ou até contraindicar o uso do medicamento, pois indica algum nível de lesão renal.

5.     Função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas):

O fígado é responsável pelo metabolismo da maior parte dos anticoagulantes, por isso o acompanhamento da função hepática é fundamental. Alterações nos níveis de enzimas ou bilirrubinas podem comprometer a eficácia do tratamento ou aumentar a toxicidade, exigindo reavaliação terapêutica. Além disso, alguns anticoagulantes podem induzir hepatotoxicidade,o que torna necessária a suspensão do tratamento (Silva et al., 2022).

 

Acompanhamento individualizado

É importante destacar que o conjunto de exames necessários pode variar conforme o tipo de anticoagulante prescrito, o histórico clínico e a presença de comorbidades. Em pacientes idosos ou com doenças renais e hepáticas  o monitoramento  deve ser mais rigoroso para evitar complicações. Além dos exames laboratoriais, o acompanhamento farmacoterapêutico deve considerar possíveis interações medicamentosas e incluir orientações sobre cuidados alimentares, como no uso de varfarina, que atua como antagonista da vitamina K ao inibir a enzima responsável por regenerar sua forma ativa no fígado, reduzindo a síntese dos fatores de coagulação II, VII, IX e X; por isso, variações bruscas na ingestão de vitamina K - presente em alimentos como couve, brócolis e espinafre - podem alterar o INR e exigir ajustes na dose (Silva et al., 2022). É fundamental reforçar a importância da atenção aos sinais de alerta, como hematomas frequentes, sangramento gengival ou fezes escurecidas, para garantir a segurança do tratamento.

 

Papel do farmacêutico

O farmacêutico desempenha papel essencial no acompanhamento de pacientes em uso de anticoagulantes, realizando a conciliação medicamentosa, identificando interações medicamentosas, orientando sobre adesão ao tratamento e monitorando parâmetros laboratoriais. Sua atuação contribui diretamente para a segurança e eficácia da terapia anticoagulante (Santiago et al., 2025).

 

Equipe multiprofissional

O cuidado com pacientes em uso de anticoagulantes exige atuação integrada da equipe multiprofissional, composta por médico, farmacêutico e nutricionista, garantindo segurança e eficácia no tratamento (Santiago et al., 2025).

 

Interações medicamentosas

Interações medicamentosas devem ser monitoradas continuamente. Sempre informe ao profissional de saúde sobre novos medicamentos em uso (Santiago et al., 2025).

 

Conclusão

O uso de anticoagulantes é uma ferramenta terapêutica poderosa, capaz de prevenir eventos tromboembólicos graves e salvar vidas. No entanto, seu potencial benefício vem acompanhado de riscos que exigem atenção contínua. Dessa forma, tomar anticoagulantes com segurança vai muito além da prescrição: requer adesão ao tratamento, realização de exames periódicos e acompanhamento multiprofissional. Ao manter o monitoramento adequado, o paciente consegue se beneficiar da proteção contra tromboses sem aumentar o risco de hemorragias graves. Quando bem conduzido, o tratamento anticoagulante se transforma em um verdadeiro aliado na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida (Fernandes et al., 2016; Marcanssoni, 2021).

 

Referências (ABNT)

ASSIS, L. R. A importância do tempo de protrombina no monitoramento de pacientes em uso de anticoagulantes orais. Anais da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto, 2007. Disponível em: http://www.ciencianews.com.br/arquivos/ACET/IMAGENS/biblioteca- digital/hematologia/plaquetas_coagulopatias/coagulopatias/23.pdf. Acesso em: 6 set. 2025. 


FERNANDES, C. J. C. DOS S. et al. Os novos anticoagulantes no tratamento do tromboembolismo venoso. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 42, n. 2, p. 146-154, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/yCDKLsbJkMvWH8J6KbKThff/?lang=pt.

Acesso em: 6 set. 2025.

LIANA, S. Monitoramento ambulatorial de pacientes com acidente vascular cerebral em uso de anticoagulante varfarina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2018. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/217664. Acesso em: 6 set. 2025.

MARCANSSONI, M. H. Monitorização e manejo de pacientes em uso de novos anticoagulantes orais no contexto da emergência. Repositório Institucional da UFSC, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/223315. Acesso em: 6 set. 2025.

MARY, R. Anticoagulantes orais diretos. Academia de Medicina Guanabara Koogan, 17 dez. 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Rose- Silva/publication/338121530_Anticoagulantes_orais_diretos/links/5e00c0c9299bf10bc37207 aa/Anticoagulantes-orais-diretos.pdf. Acesso em: 6 set. 2025.


RODRIGUES, B. et al. As indicações e os efeitos adversos dos novos anticoagulantes orais utilizados na prática clínica. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research, v. 33, n. 1, p. 54-63, 2020-2021. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20201206_095811.pdf. Acesso em: 6 set. 2025. 

SANTIAGO, R. T. et al. Protocolo de acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes em uso de anticoagulantes em unidade de terapia intensiva: revisão de escopo. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 4, p. e14445, 28 fev. 2025. Disponível em: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/14445. Acesso em: 6 set. 2025.

SILVA, A. P. DE O. et al. Anticoagulantes orais: aspectos farmacológicos e monitorização terapêutica. Research, Society and Development, v. 11, n. 8, p. e20911830677, 16 jun. 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/30677. Acesso em: 6 set. 2025.


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