Bloqueadores dos canais de cálcio: o que são e como atuam no controle da hipertensão arterial?
Bloqueadores dos canais de cálcio: o que são e como atuam no controle da hipertensão arterial
A hipertensão arterial é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular em todo o mundo. Entre as diversas classes de fármacos utilizados no seu tratamento, os bloqueadores dos canais de cálcio (BCCs) se destacam por sua eficácia, boa tolerabilidade e versatilidade terapêutica.
Esses medicamentos atuam reduzindo a entrada de íons cálcio (Ca²⁺) nas células musculares lisas das artérias e no miocárdio, promovendo vasodilatação, diminuição da contratilidade cardíaca e redução da pressão arterial(Katzung, 2018).
Além do papel no tratamento da hipertensão, os BCCs também são amplamente empregados na angina de peito, arritmias cardíacas e em distúrbios vasoespásticos, como o fenômeno de Raynaud (Brunton; Hilal-Dandan; Knollmann, 2018).
Indicação dos bloqueadores dos canais de cálcio
tyle="line-height: 1.7999999999999998; margin-bottom: 12pt; margin-top: 12pt; text-align: justify;">Os BCCs são indicados para o tratamento de diversas condições cardiovasculares, incluindo:
→ Hipertensão arterial essencial ou secundária, especialmente em pacientes idosos e afrodescendentes;
→ Angina estável e vasoespástica (de Prinzmetal), pela capacidade de relaxar o músculo liso das artérias coronárias;
→ Arritmias supraventriculares, como fibrilação atrial e taquicardia paroxística supraventricular (particularmente com verapamil e diltiazem);
→ Fenômeno de Raynaud, devido à vasodilatação periférica (Rang; Dale; Ritter, 2016).
Esses fármacos são úteis tanto em monoterapia quanto em associação com outras classes anti-hipertensivas, como diuréticos e inibidores da ECA, otimizando o controle pressórico e reduzindo eventos cardiovasculares (BRASIL, 2021).
Principais classes de bloqueadores dos canais de cálcio
Os BCCs são divididos em três subgrupos principais, de acordo com sua estrutura química e predomínio de ação:
Di-hidropiridinas
→ Ex.: Nifedipino, Anlodipino, Felodipino, Nicardipino. Atuam predominantemente nos vasos sanguíneos, promovendo potente vasodilatação arteriolar. São preferidos no tratamento da hipertensão, pois têm mínima ação depressora cardíaca.
Fenilalquilaminas
→ Ex.: Verapamil. Agem preferencialmente no coração, reduzindo a contratilidade, a frequência e a condução atrioventricular. Usados no tratamento de arritmias supraventriculares e angina.
Benzotiazepinas
→ Ex.: Diltiazem. Apresenta ação intermediária, afetando tanto o músculo cardíaco quanto os vasos. Indicado para hipertensão, angina e algumas arritmias.
Efeitos adversos dos bloqueadores dos canais de cálcio
Embora os BCCs sejam geralmente bem tolerados, podem causar efeitos adversos relacionados à sua ação farmacológica. Esses efeitos variam conforme a subclasse do fármaco e a sensibilidade individual do paciente.
Principais efeitos adversos
Di-hidropiridinas (ex.: nifedipino, anlodipino, felodipino):
→ Cefaleia e rubor facial: decorrentes da vasodilatação periférica intensa.
→ Edema periférico: comum nos membros inferiores, devido à dilatação arteriolar sem vasodilatação venosa compensatória.
→ Taquicardia reflexa: pode ocorrer em resposta à queda da pressão arterial, especialmente com nifedipino de ação rápida.
Fenilalquilaminas (ex.: verapamil):
→ Bradicardia e bloqueio atrioventricular: pela depressão da condução cardíaca.
→ Constipação intestinal: efeito frequente, relacionado à ação sobre o músculo liso gastrointestinal.
→ Insuficiência cardíaca: risco aumentado em pacientes com disfunção ventricular, devido ao efeito inotrópico negativo.
Benzotiazepinas (ex.: diltiazem):
→ Bradicardia e bloqueio AV: menos pronunciados que com verapamil, mas ainda relevantes.
→ Edema periférico: pode ocorrer, embora com menor frequência que nas di-hidropiridinas.
Interações medicamentosas
Considerações clínicas
Os efeitos adversos devem ser monitorados, especialmente em pacientes com comorbidades cardiovasculares. A escolha do BCC deve considerar o perfil do paciente, evitando verapamil ou diltiazem em indivíduos com insuficiência cardíaca ou bloqueios cardíacos, e preferindo di-hidropiridinas em casos de hipertensão isolada (Katzung, 2018; Brunton; Hilal-Dandan; Knollmann, 2018; Rang; Dale; Ritter, 2016).
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Brasília: MS, 2021.
BRUNTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R.; KNOLLMANN, B. C. Goodman & Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2018.
KATZUNG, B. G. Farmacologia Básica e Clínica. 14. ed. Rio de Janeiro: AMGH, 2018.
RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
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