IECAs (inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina): como funcionam, benefícios e quando usar

 


IECAs - Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina  

1-    Introdução

A hipertensão arterial é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o IECAs (inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina) : Como Funcionam, Benefícios e Quando Usarmundo, estando diretamente associada a doenças cardiovasculares e renais. Nesse contexto, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) desempenham papel essencial no tratamento, por promoverem redução da pressão arterial, proteção cardíaca e preservação da função renal. A seguir, são descritos os principais representantes da classe, suas indicações, mecanismos de ação, efeitos adversos e interações medicamentosas.

 

2-    Representantes

Dependendo da estrutura química, os inibidores da ECA são classificados em três grupos

2.1 Inibidores da ECA contendo sulfidrila: 

      Captopril (Ecopace®, Kaplon®, Tensopril®, Acepril®, Capoten®)

      2.2 Inibidores da ECA contendo dicarboxílicos:

      Benazepril (Lotensin®)

Enalapril (Ednyt®, Innovace®, Vasotec®)

Lisinopril (Carace®, Prinivil®, Zestril®)

Moexipril (Perdix®, Univasc®)

Ramipril (Lopace®, Tritace®, Altace®)

Perindopril (Aceon®, Acertin®, Coverene®, Coverex®)

Quinapril (Quinil®, Accupro®, Accupril®)

Trandolapril (Mavik®, Gopten®, Odrik®

2.3 Inibidor da ECA contendo fósforo:

 Fosinopril (Staril®, Monopril®)

3-    Indicação

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) constituem uma classe de fármacos amplamente empregada no manejo de doenças cardiovasculares e renais, sendo considerados tratamento de escolha em diversas condições clínicas, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Esses medicamentos promovem redução significativa da pressão arterial sistólica, diastólica e média, com especial benefício em pacientes portadores de diabetes mellitus ou com histórico de doenças cardiovasculares

No contexto da insuficiência cardíaca, os inibidores da ECA reduzem a pré e a pós-carga, diminuem o estresse ventricular e aumentam o débito cardíaco sem alterar a frequência cardíaca, além de promoverem a excreção de sódio e água por meio da inibição da aldosterona

Após eventos isquêmicos, como o infarto do miocárdio, o uso desses medicamentos tem demonstrado redução na mortalidade e prevenção da progressão para insuficiência cardíaca congestiva. Em pacientes diabéticos, os inibidores da ECA exercem efeito protetor sobre os rins ao modular o sistema renina-angiotensina-aldosterona, diminuindo a hiperfiltração glomerular e retardando a progressão da nefropatia diabética

Nas síndromes nefróticas e em casos de proteinúria, contribuem para reduzir a pressão capilar glomerular e controlar a evolução da microalbuminúria para proteinúria manifesta. Já na doença renal crônica, os inibidores da ECA são considerados terapias de primeira escolha, pois reduzem a proteinúria e auxiliam na desaceleração da deterioração da função renal


4-    Mecanismo de ação

A angiotensina II exerce diversos efeitos fisiológicos relevantes no controle da pressão arterial e no equilíbrio hidroeletrolítico. Atua promovendo vasoconstrição direta, estimula a liberação de catecolaminas pela medula adrenal, favorece a retenção de sódio e água ao reduzir sua excreção urinária

A ação dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) interfere no sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Sua principal ação consiste em bloquear a enzima responsável pela conversão da angiotensina I em angiotensina II, resultando em menor produção desse potente vasoconstritor. Consequentemente, redução da pressão arterial e prevenção do remodelamento vascular e cardíaco. Essa diminuição da resistência vascular e da pressão venosa contribui para reduzir tanto a pré-carga quanto a pós-carga cardíaca

Além disso, há evidências de que os inibidores da ECA diminuem a degradação da bradicinina, um peptídeo com ação vasodilatadora, potencializando, assim, o efeito hipotensor desses medicamentos 

 

5-    Efeito adversos

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) apresentam, de modo geral, bom perfil de segurança e são bem tolerados pela maioria dos pacientes. No entanto, alguns efeitos adversos característicos merecem atenção clínica:

Cerca de 1% a 10% dos pacientes em uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) podem desenvolver tosse seca, persistente e não produtiva. Embora geralmente benigna, essa reação adversa costuma levar à descontinuação do tratamento, pois não há terapia específica eficaz

O angioedema representa o evento adverso mais significativo associado aos IECA. Ele pode acometer diferentes regiões do corpo, inclusive o trato gastrointestinal, porém o comprometimento da língua, glote ou laringe é o mais preocupante por risco de obstrução das vias aéreas

Os IECA podem causar redução reversível da função renal, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca que dependem do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Indivíduos com estenose bilateral das artérias renais apresentam risco aumentado de elevação dos níveis séricos de ureia e creatinina. Por isso, recomenda-se monitorar a função renal durante o tratamento, principalmente em pacientes com insuficiência renal prévia

A hipotensão é outro efeito adverso possível, particularmente em indivíduos com insuficiência cardíaca e pressão arterial sistólica inferior a 100 mmHg, doença isquêmica e uso de diuréticos em altas doses

Os inibidores da ECA também podem causar hipercalemia, sobretudo em pacientes com disfunção renal, diabetes mellitus, uso concomitante de diuréticos poupadores de potássio ou suplementação de potássio. O manejo depende da concentração sérica de potássio e da preservação da função renal.

Por fim, a icterícia colestática e hepatite são efeitos raros, porém graves, podendo evoluir para necrose hepática e óbito, exigindo suspensão imediata do tratamento.

 

6-    Interações e contraindicações

O uso de IECAs é contraindicado em pacientes com histórico de angioedema ou hipersensibilidade associada ao uso prévio desses fármacos. Além disso, não devem ser utilizados em pacientes que fazem uso concomitante de inibidores diretos da renina, como o alisquireno, devido ao risco aumentado de efeitos adversos renais

O uso de inibidores da ECA é absolutamente contraindicado durante a gestação, uma vez que estão associados a graves efeitos teratogênicos.

A combinação com bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRAs) não é recomendada, pois pode levar a disfunção renal e hipercalemia grave. O uso concomitante com diuréticos poupadores de potássio (como espironolactona e amilorida) aumenta o risco de hipercalemia, especialmente em idosos, diabéticos e indivíduos com insuficiência renal.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) também favorecem hipercalemia e reduzem o efeito anti-hipertensivo dos IECAs ao interferirem na síntese de prostaglandinas.

Além disso, a combinação com betabloqueadores reduz a ativação da renina, e a associação com antagonistas dos canais de cálcio potencializa o controle pressórico e diminui o edema causado por esses agentes.

Por fim, a probenecida eleva as concentrações plasmáticas de captopril, enquanto ácido acetilsalicílico e antiácidos podem reduzir sua eficácia. A associação de alopurinol com IECAs aumenta o risco de reações de hipersensibilidade, e o efeito da digoxina pode ser potencializado pelos IECAs, elevando o risco de intoxicação digitálica.

 

7-    Referências

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