Niacina

 



1.    Indicação

A niacina, também conhecida como vitamina B3, é uma vitamina hidrossolúvel pertencente ao complexo B. Essa substância tem importância clínica por contribuir para o controle glicêmico e, quando administrada em doses elevadas, apresenta efeito hipolipemiante. Entre suas ações, destacam-se a redução dos níveis de triglicerídeos, a diminuição da síntese de lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL), apolipoproteína B (apo B) e lipoproteínas de baixa densidade (LDL), além do aumento das concentrações de lipoproteína de alta densidade (HDL) para indivíduos com dislipidemia mista e ou primária (Bersot, 2012).

Além dessa finalidade, a niacina também pode ser empregada como coadjuvante no tratamento dietético, auxiliando na diminuição dos níveis de colesterol total e de lipoproteína de baixa densidade (LDL) em adultos com dislipidemia primária. Ademais, quando utilizada em combinação com resinas sequestradoras de ácidos biliares, pode colaborar para desacelerar a progressão da aterosclerose em pacientes com histórico de hiperlipidemia e doença arterial coronariana (Peechakara, 2024).

 

2.    Efeitos adversos

Entre os efeitos adversos associados ao uso da niacina, destaca-se o rubor cutâneo, resultado da vasodilatação dos vasos sanguíneos subcutâneos, que pode provocar vermelhidão, prurido e sensação de calor desconfortável, já em casos mais intensos, o rubor pode estar acompanhado de hipotensão e tontura. Além disso, podem ocorrer alterações cardíacas, como arritmias, especialmente em pacientes com taquicardias supraventriculares, que podem relatar palpitações ou desconforto torácico, mesmo com tratamento antiarrítmico concomitante (Peechakara, 2024).

A niacina também pode ocasionar hiperglicemia, pois sua administração está associada à diminuição da tolerância à glicose, especialmente em indivíduos portadores de diabetes mellitus, uma vez que esse efeito está relacionado ao desenvolvimento de resistência à insulina, resultante do aumento compensatório de ácidos graxos livres na circulação após a administração da substância (Goldie, 2016). Ademais, sabe-se que a niacina pode induzir hiperuricemia, razão pela qual seu uso deve ser evitado em pacientes com histórico de gota (Ben Salem, 2017). Outrossim, a terapia com niacina pode agravar quadros de úlcera péptica, sendo, portanto, recomendável cautela em indivíduos com distúrbios gastrointestinais ativos ou de caráter crônico.

 

3.    Interações

Entre as interações medicamentosas da niacina, destaca-se sua alta afinidade pelas resinas sequestradoras de ácidos biliares, devido a essa capacidade de ligação, recomenda-se manter um intervalo de 4 a 6 horas entre a administração das resinas e da niacina de liberação prolongada, a fim de evitar a redução da absorção e da eficácia do fármaco (Peechakara, 2024). Além disso, a niacina pode potencializar os efeitos de fármacos vasoativos e de agentes bloqueadores ganglionares, o que pode levar ao desenvolvimento de hipotensão postural como efeito adverso (Baías, 2009).

É importante ter precaução na administração da niacina, uma vez que o fármaco pode provocar pequenas reduções na contagem de plaquetas de forma dose-dependente, sendo especialmente relevante quando a substância é utilizada com anticoagulantes (Kei, 2014). Vale-se ressaltar que deve ter cautela ao prescrever doses iguais ou superiores a 1 g por dia em combinação com estatinas, devido ao risco aumentado de desenvolvimento de miopatia e rabdomiólise (Safitri, 2021).

 

4.    Referências

Baías HE, Rader DJ. O ácido nicotínico (niacina) reduz a pressão arterial?. PubMed. Int J Clínica Clínica. Janeiro de 2009; 63 (1):151-9. DOI: 10.1111/j.1742-1241.2008.01934.x.

Ben Salem C, Slim R, Fathallah N, Hmouda H. Hiperuricemia e gota induzidas por medicamentos. PubMed. Reumatologia (Oxford). 1º de maio de 2017; 56 (5):679-688. DOI: 10.1093/reumatologia/kew293.

Bersot TP. Terapia medicamentosa para hipercolesterolemia e dislipidemia. Em Brunton LL, Chabner BA, Knollman BC, orgs. Goodman & Gilman, "A base farmacológica da terapêutica". 12ª ed. Nova York: McGraw-Hill, 2012, pp. 877-908.

Goldie C, Taylor AJ, Nguyen P, McCoy C, Zhao XQ, Preiss D. Terapia com niacina e o risco de diabetes de início recente: uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados. Heart. 2016 fev; 102 (3):198-203.

Guyton JR, Bays HE. Considerações de segurança com a terapia com niacina. PubMed. Am J Cardiol. 19 de março de 2007; 99 (6A):22C-31C. DOI: 10.1016/j.amjcard.2006.11.018.

Kei A, Elisaf M. Ácido nicotínico/laropiprant: reduz a contagem de plaquetas, mas aumenta o volume plaquetário médio em pacientes com dislipidemia primária. PubMed. Arch Med Sci. 29 de junho de 2014; 10 (3):439-44. DOI: 10.5114/aoms.2014.43738.

Peechakara, Basílio V.; Gupta, Mohit. Vitamina B3. National Library of Medicine, 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK526107/. Acesso em: 27 out. 2025.

Safitri N, Alaina MF, Pitaloka DAE, Abdulah R. Uma revisão narrativa da rabdomiólise causada por estatinas: mecanismo molecular, fatores de risco e tratamento. PubMed. Medicamento Saúde Paciente Seguro. 2021; 13 :211-219. DOI: 10.2147/DHPS.S333738.

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