Medicamentos para Asma: classes, cuidados e orientações para pacientes




INTRODUÇÃO

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias caracterizada por obstrução variável do fluxo aéreo e hiperresponsividade brônquica. Essa condição provoca inflamação das vias aéreas, edema da mucosa pulmonar, aumento da produção de muco e contração da musculatura brônquica, dificultando a passagem do ar. Os principais sintomas incluem falta de ar, tosse, chiado no peito e sensação de aperto torácico, podendo variar de intensidade conforme o grau de controle da doença (GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA, 2024).

Embora a asma não possua cura, ela apresenta controle adequado quando o tratamento é realizado corretamente. O acompanhamento médico e farmacêutico, aliado ao uso correto dos medicamentos, permite que grande parte dos pacientes tenha qualidade de vida e redução significativa das crises.


CLASSE DE MEDICAMENTOS

Os medicamentos para asma são divididos em duas principais categorias: medicamentos de alívio e medicamentos de controle.

Os medicamentos de alívio são utilizados durante as crises asmáticas e atuam promovendo broncodilatação rápida. Entre os principais representantes estão os agonistas β2-adrenérgicos de curta ação, como salbutamol e terbutalina. Esses medicamentos estimulam receptores β2 presentes no músculo liso brônquico, promovendo relaxamento da musculatura e melhora rápida da respiração. Entretanto, o uso frequente desses medicamentos pode indicar descontrole da doença, sendo necessária reavaliação terapêutica (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, 2020).

Os agonistas β2 de longa ação, como formoterol e salmeterol, apresentam duração prolongada e são utilizados na manutenção do tratamento. Esses medicamentos nunca devem ser utilizados isoladamente na asma, devendo estar associados aos corticosteroides inalatórios devido ao risco aumentado de exacerbações graves quando utilizados sem terapia anti-inflamatória associada (NELSON et al., 2006).

Os corticosteroides inalatórios representam a principal terapia de controle da asma persistente. Medicamentos como budesonida, beclometasona, fluticasona e mometasona reduzem a inflamação das vias respiratórias, diminuem a hiperresponsividade brônquica e previnem crises asmáticas. Esses medicamentos devem ser utilizados diariamente, mesmo na ausência de sintomas, pois atuam no controle contínuo da inflamação pulmonar (BARNES, 2010).

Além dos corticosteroides, alguns pacientes podem utilizar antagonistas de leucotrienos, como montelucaste. Os leucotrienos são mediadores inflamatórios derivados do ácido araquidônico que promovem broncoconstrição, edema e aumento da produção de muco. O montelucaste atua bloqueando receptores de leucotrienos, reduzindo inflamação e broncoconstrição, sendo especialmente útil em pacientes com rinite alérgica associada.

Em casos específicos, também podem ser utilizados antagonistas muscarínicos, como brometo de ipratrópio e tiotrópio, que promovem broncodilatação por bloqueio da ação parassimpática sobre o músculo liso brônquico. Já as metilxantinas, como a teofilina, apresentam efeito broncodilatador por inibição da enzima fosfodiesterase, embora atualmente sejam menos utilizadas devido ao maior risco de efeitos adversos e interações medicamentosas.

Nos casos de asma grave refratária, podem ser indicados imunobiológicos, como omalizumabe, mepolizumabe e dupilumabe. Esses medicamentos atuam em mecanismos específicos da resposta imunológica e são utilizados sob acompanhamento especializado.


ASPECTOS IMUNOLÓGICOS DA ASMA

A asma possui importante participação imunológica. Em muitos pacientes ocorre predomínio da resposta inflamatória do tipo Th2, levando ao aumento da produção de imunoglobulina E (IgE). Quando o organismo entra em contato com substâncias desencadeantes, como poeira, ácaros, fumaça ou pólen, ocorre liberação de histamina, leucotrienos e outros mediadores inflamatórios responsáveis pela broncoconstrição e inflamação das vias aéreas.


CUIDADOS IMPORTANTES NO USO DOS AEROSSÓIS

A técnica de utilização dos dispositivos inalatórios é fundamental para o sucesso do tratamento. O uso incorreto pode reduzir significativamente a quantidade de medicamento que chega aos pulmões, comprometendo a eficácia terapêutica.

Durante o uso dos aerossóis inalatórios, recomenda-se agitar o dispositivo antes da aplicação, expirar completamente antes da inalação, posicionar corretamente o inalador, inspirar lenta e profundamente durante o disparo e manter apneia por aproximadamente 10 segundos após a inalação. Essas medidas favorecem adequada deposição pulmonar do medicamento.

Nos casos de corticosteroides inalatórios, é fundamental realizar higiene oral e gargarejo após o uso para reduzir o risco de candidíase oral e rouquidão, efeitos adversos frequentemente associados ao depósito do medicamento na orofaringe.

Crianças pequenas devem utilizar aerocâmara associada à máscara facial para garantir adequada deposição pulmonar do medicamento, enquanto idosos podem apresentar dificuldade no uso de inaladores de pó seco devido à limitação do fluxo inspiratório.


EFEITOS ADVERSOS E PRECAUÇÕES

Os agonistas β2 podem provocar efeitos adversos como tremores, taquicardia, irritabilidade e cefaleia, especialmente em doses elevadas. Já os corticosteroides inalatórios podem causar candidíase oral, disfonia e rouquidão. Em uso prolongado e em doses elevadas, corticosteroides podem favorecer osteopenia, osteoporose e retardo do crescimento em crianças.

Pacientes asmáticos também devem ter cuidado com medicamentos como anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno), pois esses fármacos podem desencadear crises asmáticas em indivíduos sensíveis. Betabloqueadores utilizados no tratamento de hipertensão arterial e doenças cardíacas também podem provocar broncoespasmo.


MEDIDAS IMPORTANTES  NO CONTROLE DA ASMA

Além do tratamento medicamentoso, algumas medidas são essenciais para o controle da doença:

·        Evitar fatores desencadeantes, como fumaça, mofo, perfumes fortes e poeira;

·        Manter acompanhamento médico regular;

·        Realizar vacinação contra gripe e pneumococo;

·        Manter os medicamentos de alívio sempre acessíveis;

·        Interromper o tabagismo;

·        Seguir corretamente o plano terapêutico.

O controle adequado da asma reduz exacerbações, melhora a qualidade de vida e diminui o risco de complicações respiratórias.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.      BARNES, P. J. Inhaled corticosteroids. Pharmaceuticals, v. 3, n. 3, p. 514-540, 2010.

2.      GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA. Global strategy for asthma management and prevention. 2024. Disponível em: https://ginasthma.org⁠. Acesso em: 16 maio 2026.

3.       NELSON, H. S. et al. The Salmeterol Multicenter Asthma Research Trial. Chest, v. 129, n. 1, p. 15-26, 2006.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes para o manejo da asma. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 46, n. 1, e20190307, 2020.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Meu exame laboratorial deu alterado… devo tomar medicamentos?

Simpatolíticos: o que são e como atuam no controle da hipertensão

Hemoglobina glicada (HbA1c) 7%