ANEMIAS CARENCIAIS: QUANDO A FALTA DE NUTRIENTES COMPROMETE A SAÚDE

 ANEMIAS CARENCIAIS: QUANDO A FALTA DE NUTRIENTES COMPROMETE A SAÚDE 

    As anemias carenciais representam um importante problema de saúde pública em todo o mundo e estão entre as condições nutricionais mais frequentes na prática clínica. Apesar de muitas vezes serem associadas apenas ao cansaço ou à fraqueza, essas alterações podem comprometer significativamente a qualidade de vida, o desempenho cognitivo, a capacidade física e, em grupos mais vulneráveis, o desenvolvimento infantil e a evolução da gestação (WHO, 2025).  

    De forma geral, a anemia é caracterizada pela redução da concentração de hemoglobina no sangue, prejudicando o transporte de oxigênio para os tecidos. Entre suas diversas causas, as deficiências nutricionais ocupam posição de destaque, especialmente a carência de ferro, ácido fólico e vitamina B12 (WHO, 2025).  

A anemia por deficiência de ferro 

    A deficiência de ferro é considerada a causa nutricional mais comum de anemia no mundo. Esse mineral é indispensável para a síntese da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio. Quando os estoques de ferro se tornam insuficientes, a produção de hemoglobina diminui e a anemia pode se desenvolver (Pasricha et al., 2021). 

    Diversos fatores podem contribuir para a deficiência de ferro, incluindo alimentação inadequada, aumento das necessidades fisiológicas durante a gestação, perdas sanguíneas decorrentes de menstruação intensa e distúrbios que comprometem a absorção intestinal. Mulheres em idade reprodutiva, gestantes, crianças e adolescentes constituem os principais grupos de risco (Iolascon et al., 2024; Pasricha et al., 2021).  

    Os sintomas mais comuns incluem fadiga, sonolência, redução da capacidade de concentração, tonturas e queda no rendimento físico. Em casos prolongados, podem surgir manifestações como unhas frágeis, palidez cutânea e desejo de consumir substâncias não alimentares, condição conhecida como pica (Auerbach; Deloughery; Tirnauer, 2025). 

Deficiência de vitamina B12 e ácido fólico 

    Além do ferro, a deficiência de vitamina B12 e de ácido fólico também pode resultar em anemia. Esses micronutrientes participam da síntese do DNA e da formação adequada das células sanguíneas. Na ausência dessas vitaminas, ocorre a produção de hemácias maiores e funcionalmente alteradas, caracterizando a chamada anemia megaloblástica (WHO, 2025).  

    A deficiência de vitamina B12 pode estar relacionada à ingestão insuficiente de alimentos de origem animal, ao envelhecimento ou a doenças que comprometem a absorção intestinal. Já a deficiência de ácido fólico costuma estar associada a dietas inadequadas, aumento das necessidades metabólicas ou condições que elevam as perdas desse nutriente (WHO, 2025).  

    Enquanto a anemia por deficiência de ferro afeta principalmente o transporte de oxigênio, a deficiência de vitamina B12 pode provocar também alterações neurológicas, como formigamentos, alterações de equilíbrio e prejuízos cognitivos, destacando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. 

Diagnóstico e tratamento 

    O diagnóstico das anemias carenciais envolve a avaliação clínica e exames laboratoriais específicos. O hemograma é geralmente o primeiro exame solicitado, sendo complementado por dosagens de ferritina, ferro sérico, vitamina B12 e ácido fólico, conforme a suspeita clínica (Iolascon et al., 2024).  

    O tratamento depende da causa identificada. Na anemia ferropriva, a suplementação de ferro e a correção do fator desencadeante costumam ser as principais estratégias terapêuticas. Já nas anemias relacionadas à deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, a reposição nutricional é fundamental. Além disso, a adoção de uma alimentação equilibrada, rica em micronutrientes essenciais, desempenha papel central tanto no tratamento quanto na prevenção dessas condições (Pasricha et al., 2021; WHO, 2025). 

A importância da prevenção 

    Embora as anemias carenciais sejam frequentes, muitas delas podem ser prevenidas por meio de hábitos alimentares adequados, acompanhamento nutricional e identificação precoce de fatores de risco. Carnes, vísceras, leguminosas, vegetais verde-escuros e alimentos fortificados contribuem para o fornecimento de nutrientes essenciais para a formação das células sanguíneas. Em grupos vulneráveis, como gestantes e crianças, a suplementação pode ser necessária sob orientação profissional (WHO, 2025).  

    Mais do que uma simples alteração laboratorial, as anemias carenciais refletem desequilíbrios nutricionais capazes de impactar significativamente a saúde individual e coletiva. Por isso, compreender suas causas, manifestações e formas de prevenção é um passo importante para promover qualidade de vida e reduzir os impactos dessa condição na população. 

Referências 

(ABNT)AUERBACH, Michael; DELOUGHERY, Thomas G.; TIRNAUER, Jennifer S. Iron deficiency in adults: a review. JAMA, v. 333, n. 20, p. 1813-1823, 2025.  

IOLASCON, Achille et al. Recommendations for diagnosis, treatment, and prevention of iron deficiency and iron deficiency anemia. Hemasphere, v. 8, n. 7, 2024.  

PASRICHA, Sant-Rayn et al. Iron deficiency. The Lancet, v. 397, n. 10270, p. 233-248, 2021.  WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Anaemia. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/anaemia. Acesso em: 18 ago. 2026.  

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Anaemia: fact sheet. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/anaemia. Acesso em: 18 ago. 2026 

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